domingo, março 18, 2007

Dê-se ao luxo



Juntando a papelada para o imposto de renda.
E de repente é engraçado ver minha vida em números. E penso quanto custa a felicidade (se for verdade que ela tem um preço).
O último ano foi peculiar. Comprei o apartamento. Maior e mais caro do que o planejado, mas do tamanho exato do desejado. E minha vida financeira teve que ser readequada.
Eu sempre explico que tenho uma relação boa com o dinheiro. Respeito-o, mas o coloco em seu devido lugar: dinheiro serve a mim, e nunca o contrário. E admitamos também que eu seja satisfatoriamente organizado no trato monetário e saiba administrar bem o pouco e o muito.
Muito já me questionaram sobre meus excessos. Já houve quem me julgasse leviano, fútil, superficial. Já me disseram que ser feliz em Paris é fácil. Já me disseram que eu levo uma vida fora da realidade. Mas de que realidade estamos falando?
Estamos sendo condicionados a querer comprar luxo como se isso fosse o clichê da fórmula da felicidade. E o ponto é que minha felicidade não está no luxo, mas na liberalidade, na possibilidade, na percepção de escolhas que me sejam mais satisfatórias.
A questão é que o que nos traz felicidade não é exatamente o que podemos comprar ou não, mas o que realmente compramos e o que fazemos com isso.
Se um casal tem, digamos 30 reais. Pode ir ao cinema, ver um filme e dividir uma pipoca pequena. Ou pode comprar uma boa garrafa de espumante nacional, uma caixa de morangos e dividir uma noite de romance. Ou pode comprar duas garrafas de vinho honesto, uns pedaços de queijo, um pão italiano e chamar um casal de amigos para bater papo. Ou podem preparar em casa quase um quilo de filé de salmão, ou comerem um quilo daquele camarão médio que enche a mordida. Também podem pedir uma pizza ou duas McOfertas.
Os mesmos 30 reais compram a Vogue edição de primavera, com quase 700 páginas. Ou um buquê de flores naturais que injeta glamour em casa por uma semana. Também compra um pote de Renew para se manter linda, ou faz uma escova num salão. Quem sabe você prefira devorar uma caixa de bombons finos, ou montar uma cesta de frutas importadas.
E daí não tem como não pensar que tudo isso é um luxo. E dar-se ao luxo pode não custar tão caro. E quem sabe o luxo não esteja naquele celular que faz barulhinhos chatos e tira fotos constrangedoras (e inúteis) e que na verdade só serve para fazer as mesmas ligações que um modelo baratinho faz. E quão indispensável é aquela pixada máquina digital, ou o histérico mp3player que nem existiam há um tempo atrás? E será que aquela semana numa viagem de excursão justifica um ano inteiro de contensão de pequenos prazeres?
Então, se a felicidade estiver à venda, talvez nem custe tanto. Quem sabe a felicidade venha sempre de graça ou esteja sempre a nossa espera como um brinde, um bônus.
Dar-se a luxo, talvez, seja a essência do próprio luxo.
Para quem merece e não se nega.

1 Comentários:

Blogger Adriana Amaral (Lady A.) disse...

é isso ai lutti, tbm me dou meus pequenos luxos. bjo

19/3/07 14:09  

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